Eu sei, mas não devia. Eu sei que a gente se acostuma, mas não devia.
A gente se acostuma com as coisas mais simples que acontecem no nosso dia-a-dia em família. A não conversar sobre todos as coisas, a não ter momentos de lazer,a não ouvir os pais e isso gera uma grande conseqüência, pois quando não estamos ouvindo quem nos quer bem, acabamos nos prejudicando depois.
A gente se acostuma, mas não devia se acostumar com as más amizades que temos no colégio, com os exercícios que sempre fazemos de qualquer jeito, com as notas baixas que sempre tiramos, e, com isso, teremos os mesmos pensamentos negativos do passado.
A gente se acostuma no trabalho, com as pessoas que estão sempre a nossa volta, que nos fazem mal. Com pessoas que sempre nos desanimam, com os salários baixos e com metas que não conseguimos alcançar para poder ganhar no futuro. E isso não deveria ser uma rotina, pois sofreremos no futuro quando fizermos algo muito diferente do que fazemos agora.
A gente se acostuma com um namoro que não é um ‘namoro’, a ser tratada mal na frente das pessoas, a não receber o carinho que realmente merecemos, a não receber aquela atenção quando precisamos. E isso se torna ruim, pois mais tarde não acreditamos mais no amor, não conseguimos ter um relacionamento de confiança.
A gente se acostuma a morar em ruas, cidades e país desorganizados. A ter sempre o lixo espalhado na rua e nos mares, a um governo que rouba mais do que ajuda a cidade e promete melhores condições de vida, difícil de ver acontecer.
A gente se acostuma com o salário baixo que o estado deposita todo mês Acostuma a consumir quando não é preciso e a gastar com contas absurdas que geram a fome, o desemprego, o sem teto entres outras coisas.
A gente se acostuma com as coisas mais simples que acontecem a nossa volta e que causaram tanto sofrimento e causarão ainda mais no futuro. Coisas do passado que foram ruins e com as quais não devemos nos acostumar e que impedem de as boas acontecerem.
A gente se acostuma, mas não devia.
Camila Freiberger
Turma: 302
Professora: Ana Maria
Releitura da crônica "Eu sei, mas não devia" - Marina Colasanti
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